Museus abraçam a acessibilidade e criam recursos para cegos entenderem as obras de arte

Até algum tempo atrás, era difícil pensar em como os deficientes visuais poderiam visitar os museus, que são especialmente focados na matéria visual. Com a acessibilidade em pauta, foram então criadas uma série de recursos para que cegos entendam as obras de arte e consigam “enxergar” através do toque, democratizando a cultura e abraçando a inclusão.

Entre as ferramentas utilizadas está a audiodescrição, uma das primeiras medidas implantadas para a ampliação do acesso aos museus. São disponibilizados audioguias gratuitos com descrição das imagens e da expografia, além de trilhas sonoras e depoimentos de artistas e curadores. Há também o tour guiado, no qual os visitantes são conduzidos por educadores capacitados para descrever as obras e mediar o passeio.

Recentemente, tem sido expandido o uso ou a criação de um acervo tátil, no qual réplicas de quadros, maquetes e esculturas servem de apoio para o deficiente visual entender do que se tratam as obras, tendo uma experiência mais próxima do que está exposto. Assim se cria um diálogo entre objeto e pessoa, trazendo uma maior compreensão do universo do artista em questão.

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Foto: Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images

Em 2015, o Museu do Prado, em Madri, colocou em cartaz a mostra  “Hoy Toca el Prado” (algo como “Toque o Prado”), na qual foram oferecidas seis réplicas de obras de arte famosas, como a Monalisa de Leonardo DaVinci, com aplicações de texturas e volumes impressos com tinta especial. Isso aumenta não só a apreciação por parte do cego, mas também sua sensação de pertencimento e inclusão, incorporados à autoestima.

Foto: Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images

Foto: Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images

Já em São Paulo, o Museu de Arte Moderna (MAM) se destaca como um dos mais acessíveis do país. Primeiro porque o espaço não possui barreiras, facilitando a mobilidade. Segundo porque a infraestrutura é toda adaptada para variadas deficiências. Terceiro porque a instituição abriga programas e cursos inclusivos. O programa Olhar de Perto é destinado às pessoas com deficiência visual e o público geral, integrando diversas ações que propõem experienciar a arte contemporânea além de seu aspecto visual. O imaginário se enriquece com o desenvolvimento da percepção sensorial e a criatividade se alimenta com a linguagem descritiva.

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Além de todos estes recursos bacanas, placas em Braile e pisos táteis já se tornaram item essencial em museus, que estão correndo atrás do tempo perdido. Banheiros adaptados para cadeirantes e elevadores também estão entre as mudanças implantadas. Para consultar sobre a acessibilidade de todos os museus em São Paulo, acesse este link e tenha as informações antes mesmo de agendar sua visita.

Foto: Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images

Foto: Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images

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